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Mostrando postagens de dezembro, 2025

Autoconhecimento, Expectativas Realistas e Desejos Conscientes: construindo um novo ano sem autocobrança excessiva

  O início de um novo ano costuma ativar expectativas internas profundas. Para muitas pessoas, esse período desperta esperança e motivação; para outras, ansiedade, culpa e a sensação de que estão sempre atrasadas em relação à própria vida. Metas surgem rapidamente, mas nem sempre vêm acompanhadas de consciência emocional. Do ponto de vista clínico, espiritual e de desenvolvimento pessoal, o verdadeiro começo de um novo ciclo não está na lista de resoluções, mas na qualidade da relação que estabelecemos conosco. O autoconhecimento é o alicerce que permite transformar expectativas em direção, desejos em propósito e crescimento em um processo sustentável. Expectativas realistas: alinhar desejo e realidade Expectativas realistas não diminuem sonhos; elas protegem a saúde emocional. Na prática clínica, observa-se que grande parte do sofrimento psicológico está ligada à discrepância entre o que a pessoa espera de si e o que consegue sustentar emocionalmente no momento presente. Do p...

Expectativas Realistas, Desejos Conscientes e Autocompaixão: um novo ano que começa por dentro

  Todo início de ano carrega uma promessa silenciosa: “agora vai” . Criamos listas, metas, planos e, muitas vezes, expectativas altas demais para quem somos, para o tempo que temos e para os processos que estamos vivendo. O problema não está em desejar crescer, mas em transformar o desejo em cobrança constante, esquecendo que somos humanos — e não projetos a serem otimizados sem pausa. O autoconhecimento nos convida a um caminho mais honesto: alinhar expectativas à realidade interna, escutar os próprios limites e transformar desejos em direções, não em punições. Expectativas: quando ajudam e quando machucam Expectativas realistas nascem do encontro entre sonho e contexto. Elas consideram: quem você é hoje (e não apenas quem gostaria de ser); o que já carrega emocionalmente; seus recursos internos e externos; seu ritmo. Quando ignoramos esses fatores, a expectativa deixa de ser motivadora e passa a ser fonte de frustração, culpa e sensação constante de insuficiênc...

Psicologia Positiva como Instrumento da Terapia Cognitivo-Comportamental: integração teórica, evidências e aplicações clínicas

  A Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC) consolidou-se como uma das abordagens psicoterapêuticas mais eficazes e pesquisadas da atualidade, destacando-se por seu caráter estruturado, diretivo, empírico e orientado a metas. Paralelamente, a Psicologia Positiva, inaugurada por Martin Seligman em 1998, propôs uma mudança de paradigma: ampliar o foco da psicologia para além do sofrimento, investigando cientificamente forças, virtudes e condições que favorecem o florescimento humano. Embora distintas em origem, ambas as áreas compartilham princípios fundamentais, como a crença de que o ser humano é capaz de aprender, desenvolver habilidades, reestruturar padrões mentais e construir uma vida significativa . Por isso, a Psicologia Positiva se tornou, nas últimas décadas, um instrumento valioso dentro da prática da TCC, ampliando sua eficácia e oferecendo uma visão mais integral do desenvolvimento humano. Este artigo explora a integração entre essas duas abordagens, apresentando seus ...

Terapia Cognitivo-Comportamental, Terapia da Aceitação e Compromisso e Psicologia Positiva: bases, processos centrais e aplicações clínicas

  A psicoterapia contemporânea é marcada por uma rica convergência de teorias, técnicas e práticas empíricas. Entre as contribuições mais influentes estão a Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC), sua evolução e ramificações — como a Terapia da Aceitação e do Compromisso (ACT, do inglês Acceptance and Commitment Therapy ) — e o movimento da Psicologia Positiva. Embora cada uma dessas abordagens mantenha pressupostos e prioridades distintas, elas compartilham um objetivo prático comum: promover o funcionamento humano adaptativo, a redução do sofrimento e a ampliação do repertório comportamental que permita às pessoas viverem de acordo com o que valorizam. Neste artigo examinamos suas origens, fundamentos teóricos, processos centrais (com ênfase na ACT), técnicas-chave utilizadas na prática clínica, relação com a Psicologia Positiva e implicações para atendimento individual, casal e família. Breve história e evolução das abordagens No final dos anos 1950 e 1960, o campo da psicot...

Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT): fundamentos, processos centrais e aplicações clínicas contemporâneas

  A Terapia de Aceitação e Compromisso (ACT — Acceptance and Commitment Therapy ) é uma das principais abordagens da chamada terceira onda das terapias comportamentais, representando uma evolução conceitual e prática dos modelos tradicionais da Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC). Diferentemente de enfoques baseados na tentativa de modificar o conteúdo do pensamento, a ACT concentra-se em transformar a relação do indivíduo com suas experiências internas , promovendo flexibilidade psicológica , aceitação ativa, presença consciente e ação orientada por valores. Desenvolvida na década de 1980 por Steven C. Hayes e posteriormente expandida por Kelly Wilson e Kirk Strosahl, a ACT fundamenta-se em uma visão contextual e funcional do comportamento, apoiada na Teoria das Molduras Relacionais (RFT – Relational Frame Theory ), um modelo contemporâneo sobre linguagem e cognição. Desde então, acumula robusto suporte empírico e reconhecimento internacional, sendo aplicada em transtornos ...